Voar como águia ou ciscar como uma galinha?

Você quer voar como águia ou ciscar como galinha? Se isso depende de maiores explicações, deixe-me compartilhar com você a seguinte estória. Um caçador das montanhas, conta a lenda, encontrou um ninho de águia, tomou um dos ovos e o levou para casa, colocando-o sob uma galinha que chocava seus próprios ovos. Cumprido o tempo, nasceram os pintinhos e também uma aguiazinha. A galinha criou os seus pintinhos e o filhote de águia, dedicando-lhes o mesmo cuidado. A aguiazinha aprendeu a ciscar e a comer a comida dos pintinhos, além de fazer tudo o mais que eles faziam. E foi crescendo e vivendo naquele terreiro como se fosse uma galinha.

Ela sequer imaginava que podia voar nas alturas e dominar os céus, pois, vivendo como galinha, não aprendera a voar. Certo dia, a pequena “águia de galinheiro” viu uma águia voando nas alturas, como se fosse a dona dos céus. Ela achou aquilo maravilhoso e até sentiu vontade de voar. Ela achegou-se à sua “mãe galinha” e perguntou-lhe sobre aquela ave que estava a voar tão lindamente nas alturas. Sua mãe respondeu-lhe que aquela ave era uma águia, a “rainha das aves” e que só ela conseguia voar tão alto. E acrescentou: “Isto não é para nós; somos apenas galinhas!”

Desse modo, a pobre aguiazinha, acreditando que fosse apenas uma galinha, viveu toda a sua vida naquele galinheiro, sem jamais conhecer as alturas.

Esta lenda funciona como uma poderosa parábola da vida de muitas pessoas, que de algum modo estão a viver em condições semelhantes. Em vez de voarem, arrastam-se pela vida, frustradas e infelizes, sem reconhecerem o que são, sem jamais experimentarem os dons que Deus lhes deu na vida.

Deus nos compara à águia, chamada de a rainha das aves, pois é a que voa mais alto; os seres humanos são, assim, chamados de coroa da criação de Deus. A águia tem um voo impetuoso, como impetuosos são os homens. Ela habita nas alturas e em lugar seguro. Espiritualmente falando, nosso destino e segurança é garantido quando estamos ali com Ele, desfrutando da Sua intimidade, habitando no esconderijo do Altíssimo e descansando à sombra do Onipotente. Em assim fazendo, Deus nos livra das ciladas da vida (laço do passarinheiro) e dos inimigos mortais à espreita (peste perniciosa). Ele mesmo é nosso escudo e proteção: “Cobrir-te-á com as suas penas, e, sob suas asas, estarás seguro” (Sl 91.1-4).

Os filhos de Deus, assim como as águias, são fortes e rápidos, não porque seja recomendado, mas porque isso faz parte do seu DNA. Como está escrito: “Os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam” (Is 40.31). Assim como a águia utiliza-se das correntes de ar quente para subir sem esforço, usando a seu favor a força do vento, os filhos de Deus podem, semelhantemente, utilizar-se das próprias adversidades a seu favor, simplesmente porque “sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28).

O salmista Davi instou para que não nos esqueçamos de nenhum dos benefícios do Senhor: o perdão dos pecados, a cura das enfermidades, a proteção e livramento do mal. Além do mais, indicava a disposição renovadora da nossa natureza espiritual, lembrando que a nossa força seria “renovada como a da águia” (Sl 103.1-5). Isso faz coro com o que apóstolo Paulo ensinou, que “o nosso homem interior se renova de dia em dia”, a despeito de o homem exterior seguir o seu caminho normal de decadência física (2Co 4.16).

Embora não se tenha conseguido provar cientificamente a renovação da águia, há indicações bíblicas de que tal ocorra, assim como diversas narrativas de observadores ao longo do tempo. A águia, assim como o homem, chega a viver setenta anos. Aos quarenta anos, ela experimenta grande decrepitude. Suas unhas estão compridas e flexíveis, o que a impede de agarrar as presas das quais se alimenta. O bico fica alongado e se encurva. Suas asas, envelhecidas e pesadas, em função da grossura das penas, tornam difícil a tarefa de voar.

Desse modo, a águia tem duas alternativas: morrer ou enfrentar um penoso e longo processo de renovação. Esse processo consiste em se recolher a um ninho no alto de um penhasco, onde começa a bater com o bico na pedra até arrancá-lo; depois, espera nascer um novo bico, com o qual arranca suas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. Depois de cinco meses, a águia está pronta para o voo da renovação.

Embora muitas pessoas desejem mudar de vida, paradoxalmente, a maioria não quer mudanças. Continuam a fazer tudo do mesmo modo, como se pudessem obter resultados diferentes sem precisar agir de modo diferente. Há quem pense que seria feliz, se tão somente tivesse mais dinheiro ou bens; ou se talvez fosse outra pessoa “melhor”.

Como na lenda da águia, o problema está naquilo que fomos criados para ser, não no que temos ou nas circunstâncias que enfrentamos na vida. Fomos criados para nos relacionarmos com Deus através de Jesus, que disse: “Eu sou o caminho… ninguém vem ao pai a não ser por mim”.

Este é o princípio espiritual: Temos de estar ligados em Deus, porque viemos Dele e para Ele voltaremos. Por exemplo: Se tirarmos o peixe da água, o que acontece com ele? Morre! Se tirarmos a planta da terra, o que ocorre com ela? Morre! E se o homem ficar alienado de Deus? Obviamente, também morrerá! Esse é o ponto de partida, sem o qual a vida fica nebulosa e confusa, e tudo o mais perde o sentido.

Volte-se para Deus. Isso não é matéria de religião, é questão de vida ou morte! Entregue a sua vida a Jesus, sabendo disto: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Co 5.17). Não se deixe conformar com o que é medíocre, mas renove a sua mente para poder experimentar “a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).

Só você poderá decidir se quer voar como águia ou ciscar como galinha.

Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém

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