Que Deus possa…

O Senhor Jesus, certa feita, se defrontou com uma situação inusitada que quase o tirou do sério. Estando de descida do monte Tabor, onde se transfigurara diante de três de Seus discípulos, Jesus vê, sopé do monte, uma multidão em alvoroço. Um pai desesperado busca ajuda para seu filho, possuído que fora por uma legião de demônios. O problema, logo Jesus descobre, é que os outros discípulos não puderam libertar o menino.

O desespero daquele pai aumenta a tal ponto, enquanto a multidão faz suas apostas, que ele se chega para Jesus e diz: “Se tu podes alguma coisa, tem compaixão de nós, e ajuda-nos. E Jesus lhe responde: Se podes! Tudo é possível ao que crê” (Mc 9.22,23).

A questão, segundo Jesus, não era se Deus pode ou não, mas se o pai podia crer.

Assim, quando Jesus o desperta para a real questão: crer a despeito do impossível diante de si; então o pai pede-lhe ajuda para exercer fé: “Eu creio. Ajuda-me na minha falta de fé”. Jesus, por misericórdia, liberta o rapaz e o devolve ao pai, restaurado e livre.

Deficiências de fé são coisa séria. Esse tipo de problema é muito comum hoje, especialmente nas igrejas, onde não deveria. Cristãos sérios e compromissados com Deus infelizmente aprenderam com alguns “mestres” a orar de um jeito que trai sua deficiência de fé.

Eles dizem: “Que Deus possa abençoar”; “Que Deus possa curar”; “Que Deus possa salvar; Que Deus possa fazer isso e aquilo” etc.

Porém, esse modo de orar é completamente errado e não glorifica a Deus. Antes, por ser reprovável e completamente antibíblico, não merece sequer a atenção de Deus. Não espere um cristão que ore desse jeito receber da parte de Deus alguma coisa. E eu explico por quê.

Quando eu digo de alguém: “Que Beltrano possa ir a certo lugar” – o que eu estou ensejando é que talvez ele não possa ir.

Se eu digo: “Que fulano possa fazer tal coisa” – certamente eu estou duvidando que ele tenha condições de fazer tal coisa.

Ora, se alguém diz: “Que Deus possa curar”, é porque crê que provavelmente Deus não possa – e isso é absolutamente incongruente e falso. Porque Deus pode tudo! Ele pode, sim, curar; porque Deus é Jeová-Rafá, o Senhor que sara!

Se um cristão sincero diz: “Que Deus possa prover as nossas necessidades”, é porque crê que talvez Deus não possa – e isso é totalmente descabido e errado. Porque Deus pode, sim, suprir abundantemente todas as nossas necessidades; porque Deus é Jeová-Jiré, o Senhor provedor!

Se um crente fiel suplica: “Que Deus possa abençoar”, é porque acredita que eventualmente Deus não possa – e isso é absolutamente falso e mentiroso. Porque Deus pode, sim, abençoar com toda sorte de bênção, acima do que pedimos ou pensamos; porque Deus é o Galardoador dos que o buscam.

Esse tipo de oração é, sem dúvida, um insulto à soberania de Deus. Deus pode tudo! Tudo mesmo! O apóstolo Paulo reconhece a soberania de Deus sobre todo o processo da vida, dimensionando isto:

Deus pode fazer-vos abundar em toda a graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra…” (2Co 9.8).

Grifamos “Deus pode”, de propósito, para identificar que o controle absoluto do processo pertence ao soberano Deus e Senhor dos céus e da terra.

A questão central, portanto, não é se Deus pode, mas se nós podemos crer.

Certamente, em função disso, certa ocasião, Jesus encontrou um problema impossível de ser resolvido por qualquer via que não a soberania e poder de Deus. Seu amigo Lázaro tinha morrido e jazia no túmulo há quatro dias. E então, questionado, Ele replica a Marta, irmã do morto:

“Se creres verás a glória de Deus” (Jo 11.40). E em seguida, o ressuscitou.

Deus pode tudo! Agora, você pode crer em Deus para tudo?

Só resta uma saída: abandone definitivamente esse tipo de oração; porque ela provém de uma fé deficiente, própria de crianças na fé, e não honra a Deus; e nem mesmo merece ser ouvida por Ele.

Creia em Deus, a despeito do problema, porque Nele você pode confiar!

Samuel Câmara

Pastor da Assembleia de Deus em Belém 

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