O próprio Deus procura adoradores

O que as pessoas buscam quando vão às igrejas? O povo, em geral, tem muitas necessidades. Alguns precisam de conforto, outros, querem a solução de intrincados problemas; uns buscam curas específicas, outros, milagres diversos; não poucos buscam prosperidade, e uns tantos, apenas facilidades. É a vida, dizem. Mas não tem problema, Deus é bom e gracioso.

E Deus, o que Ele procura entre todas as pessoas? Parece estranho, mas Deus está à procura, sim, de um tipo de pessoas. Ele procura adoradores! Essa afirmação foi feita por ninguém menos que Jesus, o Filho de Deus. E há uma razão dupla. A primeira, é que Deus é o Único digno de adoração. Isso lhe é devido. A segunda, é que Ele criou o ser humano com uma sensibilidade espiritual que é parte inerente da sua natureza. E não pode fugir dela nem sequer ocultá-la, sob pena de se desumanizar, e mais que isso, brutalizar definitivamente a sua humanidade. Ser um adorador é nato do ser humano, o que o torna totalmente diferente dos outros animais.

Deus está procurando adoradores entre todos os povos. O povo brasileiro tem uma especial sensibilidade espiritual, desde os seus primórdios. Na sua busca pelo divino, cria ídolos, estabelece deuses, adora a santos. Mas será que isso agrada a Deus? E se Deus procura adoradores e só Ele é digno de adoração, estaria Ele satisfeito em que se coloque no lugar que lhe é devido deuses feitos pelas mãos dos homens?

Mas voltemos ao princípio de quando essa afirmativa foi feita. O pano de fundo é o seguinte: Ao meio-dia, Jesus encontra no poço de Jacó uma mulher samaritana de moral duvidosa e lhe pede água para beber. Como os judeus eram intrigados com os samaritanos, a mulher questiona seu pedido. Jesus replicou que se ela conhecesse o dom de Deus e quem estava pedindo água, ela é que lhe pediria, e ele lhe daria água viva, que seria uma fonte a jorrar para a vida eterna. Então ela lhe pede dessa água. Jesus manda-a chamar o marido e vir, mas a mulher disse não tê-lo. Jesus aprecia a sua sinceridade e revela que ela já teve cinco maridos, mas o parceiro atual não era.

Ao entender que ele era profeta, a mulher questiona sobre o lugar correto para adorar: “Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar”. Jesus lhe disse: “Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (João 4).

Das palavras de Jesus, podemos deduzir pelo menos três verdades. Primeiro, algumas pessoas, mesmo sinceras e dedicadas, podem estar adorando o que não conhecem, ou seja, adorando em vão. O caminho da verdadeira adoração deve ser dirigido ao único Deus criador dos céus e da terra.

Em segundo lugar, Jesus indica que a adoração dispensa lugar. Ela pode ser feita em qualquer parte da imensidão do cosmos – no templo e fora dele, na vida pública e privada, pois tudo deve ser sagrado na presença de Deus. Terceiro, como a adoração deve ser feita em espírito e em verdade, isso indica que pode haver empecilhos à verdadeira adoração. Se a adoração a Deus é mera formalidade, somente externa, e se o coração do povo está longe de Deus, tal adoração não será aceita.

Deus reserva bênçãos aos que o adoram. Ele promete especialmente paz e fartura de alegria; promete nos guiar em toda a verdade, nos santificar pela sua Palavra e pelo seu Espírito, e também nos consolar e fortalecer.
Deus procura os que de fato querem buscá-lo de coração limpo e adorá-lo em espírito e em verdade.

Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém

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