Deus pode sorrir com o Brasil?

O que poderia fazer Deus sorrir com o Brasil? Observando a feiosidade e o descalabro moral do Brasil de hoje, teria Deus motivos para tal? Ora, a ideia de fazer Deus sorrir pode parecer absolutamente estranha para muitas pessoas, principalmente àquelas que se acostumaram à imagem batida de Deus como um velhinho carrancudo e irado com raios nas mãos para atirar no primeiro pecador que sair da linha. Mas, lendo a Bíblia sem preconceito, ou sem “óculos hermenêutico” reducionista, pode-se ver Deus tanto pegando pesado contra os ímpios que militam contra a Sua vontade perfeita como também se alegrando com os justos que andam em obediência e seguindo a verdade em amor.

Quando, há quinze anos, Rick Warren publicou seu livro “Uma Vida com Propósitos”, no qual me inspirei para tecer as linhas gerais deste texto, o Brasil pós-FHC tinha lançado as bases para a era Lulopetista, que deu no que deu: um país imerso na corrupção sistêmica; segundo alguns analistas, uma cleptocracia (termo que designa um estado governado por ladrões) de viés esquerdista-bolivariano, que está sendo depurado pela Operação Lava-Jato. Certamente, Deus não teria motivos de sorrir com o Brasil daquela época nem com o que fizeram de nossa nação para que se tornasse o que é hoje.

Talvez Deus tenha tantos motivos para sorrir com o Brasil quanto tinha na época de Noé, quando se arrependeu de ter criado o homem e pensou em destruir a raça humana que se havia irremediavelmente corrompido (Gn 5.6). Mas não se apresse em emitir um veredicto, não estamos de todo perdidos.

Naquele longínquo tempo, Deus descobre entre tanta podridão comportamental um homem diferente: era Noé, o qual lhe dava prazer e o fazia sorrir. Nesse ponto, Deus decide começar tudo de novo com a família dele. A razão de estarmos vivos hoje é que Noé agradou a Deus. O modo de Noé agradar a Deus se baseava numa legítima adoração, a qual perpassava todo o seu comportamento e fazia dele alguém especial e possuidor de uma vida com propósito, tornando-o inclusive diferente do resto das pessoas de sua geração. Deus tinha nele motivos para sorrir. Ele cria que tinha sido criado por Deus e para Deus; e foi em andar com Deus que Noé descobriu a sua origem, identidade, significado e propósito na vida.

Geralmente, pessoas que buscam encontrar o seu propósito na vida recorrem a livros de autoajuda, buscam conselhos de coaches e gurus, mas os tais não podem responder à intrigante questão do propósito para o qual fomos criados. Alguém pode conseguir dinheiro, poder, sucesso e alcançar os pícaros da glória humana, mas, mesmo assim, sentir o imenso vazio de ter corrido a vida toda atrás do vento.

Para Rick Warren, a observação da vida de Noé, permite encontrar cinco atos de adoração que faziam Deus sorrir. E isso pode ser imensamente útil a cada líder, a cada governante, a cada pessoa neste país que pretende levar Deus a sério e viver num Brasil melhor.

Deus sorri quando o amamos acima de qualquer coisa. Isso ocorreu com Noé, que amava a Deus mais do que tudo, mesmo quando ninguém mais o amava. A sua vida era pautada por seguir a Deus ininterruptamente; e isso, sem dúvida, o fazia desfrutar de um íntimo relacionamento com Ele. Deus sorria, mesmo que outros achassem Noé um romântico tolo.

Deus sorri quando confiamos Nele completamente. Noé confiou em Deus, mesmo quando isso não fazia nenhum sentido aos demais. Deus o mandara construir um gigantesco barco, uma Arca para salvar a sua família e os animais, pois iria alagar o mundo. Ora, Noé jamais vira uma chuva, pois naquela época apenas o orvalho irrigava a terra. Também não sabia o que era um barco e morava a centenas de quilômetros do oceano. Mesmo assim, Noé levou 120 anos para construir a Arca, a despeito das críticas de ser louco varrido; tudo porque confiava completamente em Deus. Deus sorria, embora outros zombassem de Noé.

Deus sorri quando o obedecemos incondicionalmente. Deus dera a Noé instruções detalhadas (tamanho, forma, matéria-prima) a respeito da construção da Arca e sobre que tipos de animais deveria recolher. A Bíblia diz que “Noé fez tudo exatamente como Deus lhe tinha ordenado”, pois ele sabia que esse era o modo certo. Obediência parcial é uma completa desobediência. A obediência a Deus é um ato de adoração, pois nela dizemos o quanto o amamos. Obedecer a Deus incondicionalmente é um tipo de devoção que o faz sorrir. Deus sorria com Noé, enquanto todos o achavam esquisito.

Deus sorri quando o adoramos, o louvamos e lhe damos graças. Quem não gosta de receber um agradecimento? Deus também gosta; e isso o faz sorrir. Veja que Noé sabia disso, tanto que a sua primeira atitude após o dilúvio foi expressar a sua gratidão a Deus oferecendo-lhe um sacrifício com a imolação de “alguns animais e aves”. Hoje, podemos oferecer a Deus sacrifícios de louvor e gratidão, como diz o salmista: “Oferecer-te-ei sacrifícios de ações de graças e invocarei o nome do SENHOR” (Sl 116.17). Enquanto Noé agradecia, quem o desprezou não estava lá para ver a grandiosidade de seu ato.

Deus sorri quando usamos nossas habilidades. Alguém pode pensar que Deus só se agrada quando estamos em atividades tidas como “espirituais” — ler a Bíblia, ir ao culto, orar, ofertar, evangelizar etc. — e que Ele é indiferente às outras áreas de nossa vida. Então, Deus disse a Noé e sua família que eles deveriam ser férteis, se multiplicar, encher a terra; que eles podiam trabalhar e comer animais e vegetais. É como se Deus dissesse: “Siga a sua vida, aproveite tudo que é bom; eu vou estar por perto. Eu me importo com você”. A Bíblia diz: “Os passos dos justos são dirigidos pelo Senhor. Ele se agrada de cada detalhe da vida deles” (Sl 37.23). Assim, todas as atividades humanas, com exceção do pecado, podem ser feitas para agradar a Deus.

Agora, quando Brasil está prestes a começar o novo governo do presidente-eleito Jair Messias Bolsonaro, um homem que tem testemunhado ser temente a Deus, precisamos orar para que Deus lhe dê sabedoria e coragem para enfrentar todos os desafios que lhe serão postos à frente, dependendo da força que Deus supre. Precisamos orar para que o presidente Jair Bolsonaro e sua equipe de governo façam a coisa certa e sigam a vontade de Deus para o nosso país, de modo que Deus possa sorrir com o Brasil. E que todos os brasileiros e brasileiras possam sorrir de volta para Deus em ações de graças, quando estivermos deixando um país melhor para as gerações vindouras.

O que falta para Deus sorrir com o Brasil? Falta cada brasileiro/brasileira viver de tal modo que sua vida arranque um sorriso de Deus. Esse é o começo de tudo.

Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém

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