Deus é Pai, mas também é Mãe

Certamente já ouvimos falar sobejamente que “Deus é Pai”. Isso virou até dito popular, quando se quer evocar o cuidado divino: “Deus é Pai, não é padrasto”. Mas você sabia que “Deus também é Mãe”?

Claro, nós sabemos, nem sempre é fácil imaginar Deus numa perspectiva maternal. Fomos acostumados à ideia de que Deus é Pai. Isso soa quase como um clichê numa cultura paternalista. Sendo assim, quando Deus resolveu revelar-se à humanidade, Ele o fez utilizando essa mesma visão cultural: nasceu como homem, viveu como homem, morreu como homem, ressuscitou como homem. E Jesus, o homem perfeito e sem pecado, deixou bem claro essa imagem paterna e masculina de Deus, quando disse: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). Jesus se referiu ao templo como “casa de meu Pai”. Deus era “Aba”, seu “paizinho” querido. Mas Jesus também nos deu uma dica de que “Deus também é Mãe”.

Flávio Josefo, historiador judeu, ajuda-nos a explicar isto. Ele conta que, após o cerco e destruição de Jerusalém, um soldado romano encontrou uma galinha totalmente torrada, numa posição como se estivesse chocando seus ovos. Quando a afastou com a espada, debaixo dela saíram assustados pintinhos. A conclusão óbvia é que o instinto “materno” falou mais alto. Mesmo diante do fogo destruidor, a galinha fez o que só uma mãe extremada pode fazer: preferiu morrer para salvar seus “filhinhos”.

Esse era o mesmo sentimento que havia em Jesus, quando comparou a Sua compaixão por Israel com o cuidado extremado de uma galinha: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!” (Mt 23.37).

Sendo Jesus o Filho de Deus, “o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser”, ali estava o próprio Deus se comparando a uma galinha (Hb 1.3). Por quê? Porque, diante do fogo, qualquer outro animal pode fugir. Mas não a galinha. Quando tem de salvar seus pintinhos, mesmo em face da morte pelo fogo, ela não hesita. Do mesmo modo, Jesus não fugiu da raia quando teve de sofrer horrores para nos salvar.

É, portanto, uma grande injustiça chamar de “galinha” alguém que, por mero mau-caratismo, não consegue ser fiel. Jesus, mostrando-se fiel à infiel Jerusalém, como uma “Mãe”, mantinha sempre as “asas” abertas oferecendo acolhimento a quem não merecia.

Quando Filipe indagou de Jesus: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta”, Jesus lhe respondeu: “Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (Jo 14.8-10).

A grande verdade adicional é que o próprio Deus, que Jesus chama de Pai, algumas vezes também se identificou como “Mãe”. Deus não vê problema em tomar emprestado da natureza os exemplos das mais extremadas mamães. Por isso, Ele evoca a imagem de uma águia, mestra na arte de ensinar a voar: “Como a águia desperta a sua ninhada e voeja sobre os seus filhotes, estende as asas e, tomando-os, os leva sobre elas, assim, só o Senhor o guiou” (Dt 32.11,12).

Quando estava muito zangado, Deus se comparava com uma “ursa, roubada de seus filhos” (Os 13.8). Quem brincaria com uma mãe ursa zangada?

Deus é Pai, bem mais pai que todos os pais. Deus é “Mãe”, bem mais mãe que todas as mães. Como está escrito: “Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Is 49.15).

Deus é Pai. Deus também é “Mãe”. Por causa do Seu Amor, todas as mães podem celebrar neste domingo um “Feliz Dia das Mães”!

Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém

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